Sinopse
**“Nos seus versos a autora deixa escapar uma demonstração viva dos seus sentimentos, angústias e aspirações e nalguns o faz de uma forma bem subjectiva. Sendo a principal característica da poesia lírica a subjectividade, ela a representa falando directamente ao leitor. Assim, ao projectar-se na primeira pessoa, Adelina exibe na sua voz o seu “eu-lírico”.
(...)
A autora explora bem a sua liberdade não seguindo um arranjo gráfico preciso nem se sentindo obrigada a primar pelos poemas líricos de forma fixa, como quadra, balada, soneto ou outras não menos conhecidas. Abraça maioritariamente a linhagem da poesia livre, porém, primando sempre pela profundidade poética que surge naturalmente com o desbravar da inspiração sem deixar de lado, obviamente, a melodia e o ritmo que a caracterizam. Esse quesito é uma demonstração viva da sua herança como poetisa, reflectindo a genealogia das clássicas poetisas angolanas.”**
NOTA DO AUTOR
O que dizer quando as letras falam dos sentimentos que não conseguimos exprimir, quando dão voz ao silêncio ensurdecedor que ecoa nas nossas almas?
Bem, “Migalhas.” é o fruto de um trabalho árduo, de enigmas constantes. Podia tê-lo publicado antes, mas porque só agora? Sei que alguns vão perguntar, então, “porquê, mas porque só agora?” Sei que é ficar em um pouco tempo, rever sentimentos antigos e amadurecer para poder sentir a dor e o sacrifício que é a nossa dor. Foi assim que de mãos dadas com o tempo, pude olhar mais de perto, perscrutar e perceber o que não conseguia perceber, palavras que não eram claras, tempos de chuva ou de vento, e rever então, no silêncio dessas palavras e sentimentos.
August Cury disse que “sábio é o ser humano que com o tempo muda o sentido do seu olhar sobre a vida, sobre as pessoas e sobre si mesmo. Com o passar do tempo não mudamos apenas o sentido da vida, mas o sentido de nós mesmos.” Com o passar do tempo, e com o amadurecimento, nasceu a minha Marco (Migalhas), pois são essas pequenas partes de nós mesmos que vão ficando em nossas vidas, alguns paliativos e separadores aquebrados, que preenchem os nossos corações, juntando fragmentos que vão preenchendo o amor em nós, formando assim as “Migalhas de Amor”.