Sofia Felicidade Alberto Buco, nascida a 25 de abril de 1985, em Maianga, Luanda, é uma das figuras mais marcantes da cultura e comunicação angolana. Atriz, apresentadora, radialista, produtora cultural e comunicóloga, construiu uma carreira sólida e multifacetada, tornando-se uma referência no panorama artístico e mediático do país.
Desde muito jovem, Sofia demonstrou afinidade com atividades culturais e desportivas. Fez parte do clube 1º de Agosto, onde praticou voleibol, integrou o coro da Igreja Nossa Senhora do Carmo e, ainda na adolescência, encontrou no teatro uma forma de superar a timidez. Aos 14 anos, por incentivo da mãe, ingressou numa companhia teatral, e aos 16 anos foi acolhida pelo grupo Horizonte Njinga Mbande, experiência que despertou nela uma paixão profunda pela arte de representar. A vontade de evoluir levou-a, anos mais tarde, a aproximar-se do grupo Henrique Artes, onde participou em produções como “Corvos ao Imbondeiro”, peça histórica que retrata a realidade da guerra, e “Os Monólogos da Vagina”, espetáculo que lhe permitiu dar voz a vivências de mulheres de diferentes partes do mundo.
A sua trajetória no teatro inclui ainda participações em obras como “A História que Marcou o Sul”, “Carlota’s Club”, “Rosa e Espinhos” e “Hotel Komarca Ala Feminina”, esta última marcando a sua despedida oficial dos palcos. A decisão de abandonar o teatro surgiu após anos de dedicação e desafios constantes, entre eles a falta de patrocínios, as dificuldades de produção e a ausência de condições estruturais para o desenvolvimento artístico. Apesar disso, Sofia reconhece que o teatro foi fundamental na sua vida, inclusive no processo de superação de um período de depressão, como revelou em entrevista ao Cison Press, onde destacou a importância da arte como ferramenta de cura emocional.
Paralelamente ao teatro, Sofia construiu uma carreira sólida na comunicação. Formada em Ciências da Comunicação pela Universidade Independente de Angola, iniciou-se na televisão como repórter do programa “Zimbando”, da TV Zimbo. Na Televisão Pública de Angola (TPA), apresentou programas como “Sons de Angola” e “Bastidores”, este último durante cinco anos, explorando os bastidores da indústria cultural e artística do país. O seu desempenho levou-a a assumir a apresentação do programa “Texturas”, dedicado às artes plásticas, literatura e música clássica, um desafio que descreveu como enriquecedor e transformador, dada a profundidade dos temas abordados.
Em junho de 2021, tornou-se apresentadora do programa “Universo Feminino”, da TPA2, onde passou a destacar histórias, desafios e conquistas de mulheres angolanas. A sua voz ganhou ainda mais força ao abordar questões sociais e políticas relacionadas à condição feminina, denunciando a falta de apoio às mulheres no setor artístico, a existência de chantagens, a ausência de incentivos e as dificuldades estruturais enfrentadas por artistas no país. Defende que as mulheres devem ocupar mais espaços de liderança e que a sociedade angolana precisa reconhecer o seu papel essencial no desenvolvimento nacional.
Além da televisão, Sofia também se destacou na rádio, tendo sido locutora da Rádio Correio da Kianda. Como produtora cultural, fundou e dirigiu a Buco’s Produções, empresa que contribuiu para o fortalecimento do setor cultural angolano. Contudo, as dificuldades administrativas e económicas enfrentadas pelo teatro levaram-na a encerrar este capítulo da sua vida profissional, direcionando-se de forma mais intensa para a comunicação.
Com mais de 14 anos de experiência na televisão, Sofia Buco consolidou-se como um dos rostos mais reconhecidos e respeitados da comunicação e da cultura em Angola. A sua trajetória é marcada por resiliência, talento e compromisso com a arte, a cultura e a defesa das mulheres. Continua a inspirar jovens artistas e comunicadores, mantendo-se como uma referência incontornável no panorama cultural angolano.