Mário Rui Silva nasceu no dia 8 de Março de 1952 em Luanda, e iniciou-se no violão, aos nove anos de idade, ajudado pela sua irmã mais nova que beneficiava de aulas particulares dadas pelo pai, grande amante de música. Este tornou-se o “Manager” do grupo musical “Os Jovens” muito em voga em Luanda, em meados dos anos 60. Em 1968, Mário Rui Silva saiu do grupo “Os Jovens” e, sózinho, dedicou-se ao estudo do violão, segundo o método clássico, adaptando-o mais tarde aos ritmos africanos.
Em 1970, Mário Rui Silva partiu para Lisboa com a intenção de prosseguir os seus estudos. A “Rua da paz” em Lisboa tornou-se uma grande Universidade para o cantor, e outros jovens progressistas portugueses oriundos do então Ultramar, todos estudantes em Lisboa à procura do saber e da liberdade interditos nos tempos da ditadura salazarista. O seu gosto e interesse pela música angolana, através da qual se identificava com a sua cultura de origem e reencontrava as suas raízes, e levaram-no a aprofundar as suas pesquisas. Em 1971, Mário Rui Silva partiu para a Holanda onde participou na gravação do disco “Angola 72”, de Bonga.
Em 1973, regressou a Angola e contraiu uma forte amizade com Liceu Vieira Dias, homem de cultura e intelectual de oposição ao colonialismo português. Liceu Vieira Dias tornou-se o seu Mestre e pai espiritual, e Mário Rui Silva dedicou-lhe dez anos de pesquisa que culminaram num trabalho discográfico, o CD sobre a música angolana dos anos 40 “Chants d’Angola pour demain” (Cantos de Angola para Amanhã).
Actualmente, Mário Rui Silva vive entre Paris e Luanda, sua cidade natal. Em Paris, dá concertos a solo e participa em festivais internacionais sobre música africana, incluindo aulas de violão iniciando os seus alunos à rítmica africana.
Discografia
Ao longo da sua carreira, Mário Rui Silva gravou: “As pessoas, o meio e o tempo” (1974,33 rpm), o seu Primeiro álbum, “Sunglay” (1984,33 rpm), “Tunapenda Afrika (1985, rpm), “Koizas dum outru tempu” (1990, 33 rpm) , “Chants d'Angola pour demain” (CD, 1994), “Luanda 50/60 Angola” (CD, 1997), “Cantos de Masemba – Chants de Masemba Luanda 1920/1930” (CD, 1999) e “Luanda 1940, Angola” (CD, 2001), “Acaso” (2013, CD, “A noite dos novos dias” (2207, CD).
Em 1989, Mário Rui Silva foi convidado a participar no CD “Fausto a preto e branco”, como guitarrista. Mário Rui Silva dedicou 10 anos de séria investigação musical que culminou com a gravação do CD “Chants d'Angola pour demain”, já referenciado, uma obra de capital importância para compreensão de parte substancial da obra de Liceu Vieira Dias e do histórico Ngola Ritmos.