Fernando Norberto de Castro, conhecido pelo pseudónimo António N’Vembo, foi uma personalidade singular da história angolana, nascido em Calumbo, município de Viana, em 1938. A sua vida multifacetada fundiu o jornalismo, a política, a literatura e o desporto numa trajetória marcante e profundamente ligada ao destino de Angola. Casado com Catarina Martins de Castro, foi pai de quatro filhos e avô de sete netos, construindo ao seu redor uma família que complementava a sua dedicação ao país.
No jornalismo, destacou-se como locutor e produtor radiofónico, além de redator de vários jornais como Prisma, Brado Africano, ABC-Diário de Angola, O Comércio e Anangola. Em Portugal, exerceu funções de chefia nos jornais O País e Jornal da Amadora. As suas reportagens no "Ecos do Musseque" tornaram-se referência na era colonial, revelando com sensibilidade a vida nos bairros periféricos de Luanda. Norberto de Castro cultivava uma escrita incisiva e comprometida com a denúncia das desigualdades e com a valorização da identidade angolana.
A sua militância política começou na UNITA, onde atuou entre 1975 e 1992 como deputado na Assembleia Nacional. Após romper com Jonas Savimbi, integrou a UNITA Renovada e, mais tarde, aproximou-se do MPLA, embora nunca tenha oficializado filiação ao partido. Essa transição reflete o seu pensamento político independente e a procura por uma Angola mais democrática, valores que manifestou em entrevistas como a concedida ao jornalista Vasco Trigo, quando atuava como porta-voz da UNITA em Lisboa.
Em 1996, foi agraciado com o 1.º Prémio Rosa de Ouro pela Câmara Municipal de Luanda graças ao seu livro "O Ano de Kassanje", uma obra rara que representa um marco na literatura angolana. Sob o nome António N’Vembo, construiu uma identidade literária que conjugava memória histórica, crítica social e cultura.
Como dirigente desportivo, presidiu à Federação Angolana de Patinagem e fundou o Clube Desportivo e Escolar Norberto de Castro em Viana, Luanda, que acolhe jovens e promove o desporto como ferramenta de desenvolvimento social. Além disso, foi diretor do Gabinete de Comunicação e Marketing da Sonangol, cargo que ocupou nos últimos anos de vida, reforçando seu compromisso com a comunicação institucional.
Faleceu a 25 de março de 2004, vítima de paragem cardíaca, deixando um legado de integridade, pluralidade e dedicação às causas angolanas. O seu nome permanece vivo em instituições como o clube que fundou, e em homenagens que se multiplicam em Kapalanga e outras zonas de Luanda. Fernando Norberto de Castro foi mais do que um homem de muitos ofícios — foi uma consciência crítica do seu tempo, um construtor da memória de Angola e um inspirador de gerações.