Euclides Fonte Pereira "Fontinhas" (1925-2000): Guardião da Cultura e Emblema do Ngola Ritmos.
Euclides Fonte Pereira, conhecido como Fontinhas, nasceu em Luanda no dia 2 de novembro de 1925, filho de José de Fontes Pereira (Abel, Muene ó Dikota), um notável tocador de concertina e fundador do grupo de massemba Elite União Clube (1919-51), e de Maria Dias dos Santos. Desde cedo, Fontinhas herdou o legado musical de sua família, que lhe instigou o amor pela cultura e pela música tradicional angolana.
Fontinhas se destacou no cenário musical angolano como um insigne executante da dikanza, instrumento essencial nas soluções rítmicas do grupo Ngola Ritmos, do qual fez parte a partir de 1951. Ele inovou no uso da dikanza, aplicando dedais de forma singular e criativa, o que alterava o timbre do instrumento e criava um som distinto que marcaria o estilo musical do grupo. Sua técnica peculiar e sensibilidade rítmica tornaram-no uma referência dentro do conjunto, que se revelaria como um dos maiores símbolos do nacionalismo angolano na música.
O Ngola Ritmos, fundado no final dos anos 1940, em encontros e tertúlias na casa de Manuel dos Passos, com membros como Liceu Vieira Dias, Domingos Van-Dúnem, Mário da Silva Araújo, Francisco Machado e Nino Ndongo, tornou-se um marco cultural e político. O grupo usava a música como uma forma de alerta e de emancipação da consciência política e cultural, no contexto da luta pela libertação nacional de Angola. A música deles, especialmente sob a liderança rítmica de Fontinhas, estava alinhada com a crescente resistência ao colonialismo, assim como os grupos "Kimbambas do Ritmo" e "Nzaji".
Além de sua maestria na dikanza, Fontinhas também foi compositor e um defensor incansável dos valores culturais da angolanidade, estabelecendo um diálogo profundo entre a música e os ideais da luta pela independência. A presença de Fontinhas no Ngola Ritmos e sua singular contribuição musical e cultural o tornaram uma figura emblemática, cujo trabalho continua a inspirar a música angolana.