Nascido em 1957, em Luanda, foi membro fundador da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), criada em Outubro de 1977, para defender os interesses dos profissionais do sector. Acabou por trabalhar durante muitos anos (até ser "desalbergado”, realidade que motivou certas mágoas) no edifício que acolhe a instituição, em plena Mutamba, o ponto nevrálgico onde tudo se decide e tudo pode acontecer. Este manancial de possibilidades nem sempre inspirava Paulo Jazz, por vezes enredado num certo fel.
José Paulo Esteves, artisticamente conhecido como Paulo Jazz, destacava-se pelo seu cubismo "estético” e por um quase radical afastamento do realismo que marcou uma época nas artes plásticas angolanas.
Em 2018 foi homenageado pela galeria Hall de Lima Pimentel, do colecionador e empresário angolano Nuno Pimentel, em Luanda, onde apresentou 97 obras, durante uma exposição que ficou conhecida como "O Anjo Colorido”.
Mas, em certos dias, parecia que os espíritos se alinhavam à volta daquele edifício branco e muito antigo e (agora) mal amanhado, com o estúdio do artista a pegar fogo-rock, as janelas abertas, o palco montado e apontado para a rua. Era a inspiração à flor da pele, uma euforia claramente incontida, a felicidade.
Com 54 anos de carreira, obteve nomeação do Centro Internacional das Civilizações Bantu (CICIBA), em 1987. Participou em exposições em Sevilha, Portugal, ex-Jugoslávia e Brasil. Além da técnica mista, o co-fundador da UNAP era exímio em pinturas a óleo, acrílico e aguarela. Os quadros em tela, desenhos em papel e cartão fazem parte do conjunto de obras do artista plástico que marcou a pista de dança do Elinga Bar (antigo local de peregrinação nocturna e de união popular, na baixa de Luanda, na Mutamba) com os seus toques.
Fonte:Jornal de Angola