Joana José Neto Roque, carinhosamente conhecida como “Pernambuco”, foi uma figura emblemática da cultura angolana, especialmente no universo das danças de salão. Nascida em Angola, destacou-se ao longo das décadas de 1950, 1960 e 1970 como uma das mais carismáticas e talentosas bailarinas populares do país.
Durante os anos 60 e 70, Joana tornou-se conhecida não apenas pela sua habilidade na dança, mas também pelo seu trabalho como vendedora de comidas e petiscos tradicionais em festas e concertos. Era comum vê-la a dançar à porta dos salões onde trabalhava, encantando o público com a sua energia, elegância e paixão pela música. Foi assim que, de forma espontânea, se foi afirmando como uma excelente bailarina, conquistando admiração e respeito.
O apelido “Pernambuco” tem origem numa característica física: uma limitação numa das pernas (“mbuco”), que, paradoxalmente, não a impediu de brilhar na dança — pelo contrário, tornou a sua expressão artística ainda mais singular e admirada.
Joana Pernambuco foi imortalizada na música popular angolana, sendo mencionada na canção “Som Angolano”, de Dom Caetano, onde é citada ao lado de outros nomes marcantes da dança, como Mateus Pelé do Zangado, reforçando o seu estatuto de figura lendária.
Reconhecida como símbolo da dança tradicional urbana angolana, Joana inspirou gerações e continua a ser celebrada, inclusive no contexto do Dia da Mulher Angolana, a 2 de março. A sua influência permanece viva, sendo frequentemente referenciada em conteúdos ligados à Kizomba e à história da dança em Angola.
Joana “Pernambuco” faleceu em Luanda, no Hospital do Prenda, deixando um legado cultural profundo e duradouro. A sua vida é um testemunho de talento, resiliência e amor pela arte, que marcou de forma inesquecível a identidade cultural angolana.