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ARTIGOS

/images/noticias/Phil Collins em show de reuniao do Genesis.jpg

Phil Collins fala sobre saúde, frustrações e esperança de voltar a criar música

Fonte Lea.co.ao Data 2026-01-21 23:04:16

Em entrevista recente, o lendário músico reflete sobre anos difíceis marcados por problemas de saúde, celebra a sobriedade e não descarta um retorno ao estúdio, segundo a Rolling Stone.

/images/noticias/Burna-Boy-faz-historia-no-primeiro-halftime-show.jpg

Burna Boy faz história no primeiro halftime show de uma final do Mundial

Fonte Lea.co.ao Data 2026-07-20 01:56:14

O cantor nigeriano torna‑se o primeiro artista africano a actuar no intervalo de uma final da FIFA, num espetáculo que muda para sempre o futebol e a música global

/images/noticias/Sergio Picarra Rejeita Condecoracao dos 50 Anos.jpg

Sérgio Piçarra Rejeita Condecoração dos 50 Anos da Independência de Angola

Fonte Lea.co.ao Data 2025-07-19 16:21:09

Protesto Contra a Falta de Liberdade de Expressão e Reconciliação Incompleta

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 Lukeny Moço 0

Lukeny Moço, nome artístico de Belchior Tekateka Moço, nasceu em Luanda a 18 de setembro de 1999. Embora tenha vindo ao mundo na vibrante capital angolana, foi na vila da mata, no município do Cazenga, que passou os primeiros meses da sua vida. Ainda bebé, mudou-se com os irmãos para o Huambo, onde acabou por crescer e construir as bases da sua identidade.

Filho de Lázaro Moço e Rosa Mateus Simão, Lukeny pertence a um subgrupo étnico do sul de Angola. Desde muito cedo, revelou uma ligação forte à música. Com apenas 9 anos, já dava voz ao grupo coral da Igreja Baptista Nova Jerusalém, mostrando que o talento corria-lhe no sangue.

Mas foi mais do que uma paixão de infância. Lukeny, também conhecido por Lurhany, foi crescendo musicalmente até alcançar reconhecimento nacional. Em 2013, com apenas 14 anos, venceu a 7.ª edição dos Angola Music Awards, na categoria de Melhor Artista Revelação — um feito impressionante para alguém tão jovem.

Mais tarde, destacou-se no concurso de rádio FMAfro, onde conquistou um disco de ouro, competindo ao lado de nomes consagrados da música angolana como C4 Pedro, Edgar Domingos, Cef Tanzy e Pérola. A sua sonoridade é profundamente enraizada na tradição africana, misturando ritmos, danças e melodias que refletem tanto as suas origens como a modernidade da nova música urbana angolana.

Lukeny Moço é hoje uma das vozes emergentes da música de Angola, com um percurso que junta humildade, fé e um enorme talento — e tudo indica que ainda tem muito mais para dar.

Lukeny Moço
 Víctor Kajibanga 0

Victor Kajibanga, nascido em 1964 em Alto Chicapa, Cacolo, Lunda-Sul, é um sociólogo angolano.

Formou-se e doutorou-se em Sociologia pela Faculdade de Sociologia da Universidade Estatal de Moscovo «M. V. Lomonosov», na Rússia. Além disso, obteve diploma e mestrado em Ensino da Sociologia pela Academia Lénin, em Moscovo, e doutoramento em Sociologia Política pela mesma instituição.

É Professor Titular (catedrático) da Universidade Agostinho Neto, em Luanda, Angola, onde lecionou inicialmente no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) e, posteriormente, na Faculdade de Ciências Sociais. Colabora com o Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto e o Centro de Estudos Africanos do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, em Portugal, assim como com a Cátedra de História da Sociologia e Teorias Sociológicas Contemporâneas da Faculdade de Sociologia da Universidade Estatal de Moscovo «Lomonosov».

Ocupou diversos cargos administrativos na Universidade Agostinho Neto, incluindo Vice-Reitor para os Assuntos Académicos de maio de 1997 a outubro de 1999, Decano do Instituto Superior de Ciências da Educação de fevereiro de 2002 a abril de 2006, e Vice-Decano para os assuntos científicos do mesmo instituto entre 1996 e 1997. Desde 2010, é Decano da Faculdade de Ciências Sociais. Entre 2002 e 2006, foi Diretor da Kulonga - Revista das Ciências da Educação e Estudos Multidisciplinares do Instituto Superior de Ciências da Educação da Universidade Agostinho Neto. Também lecionou na Universidade Jean Piaget de Angola e na Universidade Lusíada de Angola entre 2000 e 2002.

Víctor Kajibanga
 Mateus Pelé do Zangado 0

Mateus Pelé do Zangado, natural de Luanda, tornou-se uma das figuras mais emblemáticas da dança angolana, especialmente do semba, género no qual foi amplamente reconhecido como um dos maiores intérpretes de sempre. Nas décadas de 1950, 60 e início de 70, encantou gerações de farristas nas noites quentes de Luanda, ao lado de nomes igualmente lendários como João Cometa e a bailarina Joana Pernambuco, sua parceira de eleição. A sua presença em pista era tão marcante que muitos o consideram, até hoje, o melhor dançarino de semba que Angola já viu.

A sua arte atravessou épocas e influenciou estilos, tornando-se referência para bailarinos, músicos e amantes da cultura popular angolana. Em 2009, o seu contributo foi reconhecido no filme Os Emplastros, de Alberto Botelho, que o homenageou pela importância que teve na música e na cultura do país. Mesmo décadas depois do auge da sua carreira, o nome de Pelé do Zangado continuava a ser sinónimo de elegância, criatividade e autenticidade na dança.

Mateus Pelé do Zangado faleceu em Luanda a 21 de fevereiro de 2012, aos 78 anos, vítima de doença. A sua morte comoveu o país. Antes do desfile do Carnaval de Luanda daquele ano, foi observado um minuto de silêncio em sua homenagem, gesto ao qual se associou o então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, presente na Tribuna de Honra. O seu funeral, realizado no Cemitério do Alto das Cruzes, contou com a presença de governantes, artistas, familiares e admiradores, num último tributo a um homem que marcou profundamente a identidade cultural angolana.

Apesar de ter vivido os seus últimos anos com dificuldades, longe do brilho dos tempos áureos, o seu legado não se perdeu. Em Luanda, uma escola do II Ciclo do Ensino Secundário recebeu o seu nome — Liceu Mateus Jorge António “Mateus Pelé do Zangado” — perpetuando a memória do artista e simbolizando a importância da cultura como pilar de desenvolvimento. A instituição, inaugurada pelo governador Manuel Homem, acolhe mais de mil alunos e representa um reconhecimento público da contribuição de Pelé do Zangado para a história cultural do país.

A influência de Mateus Pelé do Zangado ultrapassa a dança. Para muitos angolanos, ele faz parte da memória afetiva de uma época em que o semba, as festas de quintal e a convivência comunitária moldavam identidades e criavam laços. O seu nome surge frequentemente associado à nostalgia das rumbas congolesas, das noites de dança e da alegria que caracterizava a vida urbana de Luanda. A sua arte inspirou gerações e continua a ser evocada em crónicas, livros, documentários e relatos pessoais, como símbolo de uma Angola que se expressa através do corpo, da música e da celebração da vida.

Mateus Pelé do Zangado permanece, assim, como uma figura imortal da cultura angolana — não apenas pelo talento extraordinário, mas pela forma como ajudou a construir a memória coletiva de um povo que dança para contar a sua própria história.

Mateus Pelé do Zangado
 Manuel dos Santos Lima 0

Manuel Guedes dos Santos Lima nasceu em 28 de janeiro de 1935, na cidade do Cuíto, província do Bié, em Angola. Filho de pai oriundo de São Tomé, Manuel desde cedo se destacou por sua inteligência e dedicação aos estudos, sendo o primeiro classificado no exame do quarto ano escolar. Aos doze anos de idade, partiu para Lisboa, onde concluiu os estudos secundários no Liceu Camões e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1953. Lá, foi colega de figuras como Francisco Sá Carneiro, Jorge Sampaio e Pinto Balsemão.

Durante sua estadia em Lisboa, tornou-se residente da Casa dos Estudantes do Império (CEI), colaborando ativamente na revista Mensagem, espaço que reunia ideias de jovens intelectuais das ex-colônias. Representou Angola no 1.º Congresso Internacional dos Escritores e Artistas Negros em Paris, em 1956, e também no Congresso Afro-Asiático de Escritores, no Cairo, em 1962. Em Paris, colaborou com nomes como Léopold Sédar Senghor e Aimé Césaire na revista Présence Africaine, fortalecendo sua trajetória como intelectual engajado.

Manuel Lima ingressou no exército português, onde se tornou o primeiro oficial negro. Contudo, desertou em Damasco para se juntar à luta pela independência de Angola. Em Beirute, alinhou-se com o movimento nacionalista liderado por Marcelino dos Santos e logo assumiu a liderança do recém-formado Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA), braço armado guerrilheiro do MPLA. Comandou operações entre 1961 e 1963 durante a Guerra de Independência, até se desligar do MPLA por divergências com a liderança de Agostinho Neto.

Durante esse período, enfrentou momentos tensos, incluindo conflitos internos entre membros do EPLA que culminaram em episódios controversos e decisivos. Após se afastar definitivamente do MPLA, seguiu para Brazzaville e mais tarde para a Suíça, onde se doutorou em Literatura Comparada na Universidade de Lausanne. Sua tese abordou a obra de Castro Soromenho, seu amigo pessoal.

Como docente, Manuel Lima lecionou no Canadá, ensinando literatura portuguesa, francesa e espanhola. Também foi professor universitário em Rennes e Nantes (França), Lisboa e Luanda, onde ocupou o cargo de reitor da Universidade Lusíada de Angola. Em 1991, fundou o partido opositor MUDAR — Movimento de Unidade Democrática para a Reconstrução — e foi convidado a concorrer à presidência de Angola em 1992.

Ao longo de sua trajetória literária, publicou obras marcantes como Kissange (1961), As Sementes da Liberdade (1965), As Lágrimas ao Vento (1975), A Pele do Diabo (1977) e Os Anões e os Mendigos (1984). Seus textos abordam temas como identidade, guerra, exílio e liberdade, com forte carga política e filosófica.

Após sua jubilação acadêmica, passou a residir em Portugal, dedicando-se à literatura e à revisão de seus escritos. Faleceu no Hospital do Barreiro, no dia 17 de dezembro de 2024, aos 89 anos. Em nota oficial, o Bureau Político do Comité Central do MPLA lamentou profundamente sua morte, reconhecendo sua contribuição para a história e cultura angolana.

Manuel dos Santos Lima

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